Plantar batatas, colher pedras. E ainda batatas na banheira.

Plantadas as batatas de abril (há coisa de 1 mês e picos), já colhi entretanto as batatas “do seco” que plantei em inícios de janeiro. O problema é que por cada batata colhi à vontade 20 ou 30 pedras (não, não estou a exagerar), algumas de boa envergadura (as pedras não as batatas…). Isto somado aos quilos de pedra que tirei quando as plantei dá para começar a perceber a pedregosidade desta zona da horta. Este é um dos motivos porque em vários canteiros não posso usar (para já) a técnica do no dig (que muito resumidamente consiste em não cavar a terra para evitar ao máximo perturbar a estrutura e vida do solo questão que abordarei noutro post) que já comecei a aplicar noutros canteiros. Enquanto tenho que suar as estopinhas  a recolher pedra aproveito para aplicar um  dos princípios da permacultura de que o problema é a solução. Ora vai daí que este monte de pedregulhos está agora a “pavimentar” uma série de zonas da horta da zona da compostagem à bordadura do futuro charco ajudando a controlar o aparecimento de ervas menos desejadas, vulgo ervas daninhas.

bataatsBanheira

Entretanto  aproveitando uma  banheira velha fiz outra experiência cobrindo as batatas  de restos orgânicos mais ou menos compostados e algum estrume num fundinho de terra. Viçosas parecem, a ver vamos.

Ah não estranhem a miscelânea cromática das batatas da imagem – o gosto de experimentar coisas diferentes que partilho com o meu querido compadre Rafael dá-nos para isto – batatas de polpa azul,  vermelha, raiada… variedades antigas que foram caindo em desuso e que agora lentamente começam a entrar em circulação – nada como a diversidade.

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Ode ao tomate

peraAmarelo

De todas as curiosidades, como lhes chamam os antigos, para mim nada na horta diz mais verão do que o tomate. Fruto (sim, botanicamente é um fruto) bem amado por todo o mediterrâneo and beyond não concebo sequer o verão sem eles.

Confesso que os cultivo com crescente obsessão e este ano os pés de tomateiros devem rondar talvez a meia centena de uma dúzia de variedades diferentes. No top 3 constam o Pera amarelo, o Andine Cornue e o soberano absoluto e incontestável Coração de boi.

Descobri o Andine Cornue numa das minhas andanças pelos sites de sementes. Variedade tradicional dos Andes é um símbolo da história do tomate.  Proveniente da América Central e do Sul (Perú, Bolívia, Equador, Chile) o tomate foi trazido para a Europa pelos colonizadores espanhóis em meados do século XVI.  A  receção ao tomatl (em asteca) parece ter sido diversa:  se no sul da Europa foi rapidamente acolhido na cozinha,  por terras britânicas por exemplo  parece  ter sido primeiro adotado como planta decorativa tendo o fruto a fama de ser tóxico.

greenZebra

Tomate Green Zebra: mantém-se verde quando maduro

Dentro da família das solanáceas ou nightshades como os ingleses poeticamente lhes chamam e que inclui o tomateiro temos a batata e a beringela cuja folhagem é de facto tóxica. Já sobre a toxicidade da folhagem do tomateiro (e folhagem de pimentos e malaguetas também solanáceas) parece não existir consenso. Assunto a aprofundar em breve.

Mas de sombrio e noturno o tomate não tem nada e se já andamos a saborear os peras, cerejas e afins conto os dias para celebrar o verão com os vermelhos carnudos suculentos enormes deliciosos e únicos Coração de boi.

365 dias. 449 Kg. Gardening is a form of resistence.

 

veigaMaio2016

maio 2016

veigaJunho2017

junho 2017

1 Alface roxa. Rabanetes. Há precisamente um ano foram estes os primeiros vegetais colhidos na horta.  Um ano depois registo 449 kg colhidos. Da abóbora ao yacon semeei/plantei  60 diferentes tipos de vegetais, não contando as diferentes variedades. Nada mal tendo ainda em conta que comecei apenas com uma parte da área total que fui gradualmente aumentando, ocupando digamos uma média de cerca de 250m2. Nada mal também para uma horta quase de fim de semana (mais umas horitas aqui e acolá durante a semana).

A preços de mercado de produtos não biológicos o valor rondará os  900€, a maior parte consumidos por nós, alguns trocados, outros dados, alguns vendidos. Um ano bem perto da autossuficiência em legumes e tubérculos (falharam as batatas, as cebolas e as cenouras).

Confesso-me desavergonhadamente orgulhosa. Mas mais que tudo é isto que me move:  “Today and every day: Grow and eat good food. Find your grounding in the earth and connect to the nature that is in you — the nature that is you. Make space for wildness. BE wild. Tend and be tender. Don’t be good; be defiant. Cultivate compassion and empathy. Hold yourself in strength and dignity. Hold each other. “ – Gayla Trail

Esta senhora é uma inspiração:

yougrowgirl.com – gardening is a form of resistance

 

COISAS DA TERRA

batatas

As primeiras batatas emergem. Plantadas em dezembro/janeiro estava estupidamente à espera que dessem flor para as poder começar a colher. Coisas de novata. Valeram-me os meus “mestres” D. Delfina e Sr. António: as “batatas do seco” apanham-se a partir dos três meses. Feito.

A generosidade das pessoas da terra não cessa de me comover.