1002 Kg. 802 dias. On a toujours raison de se révolter.

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Estou cada vez mais convencida da importância da permacultura enquanto filosofia e prática e os resultados estão à vista – desde 11 de junho de 2016 colhi  1 tonelada (1002  Kg) de vegetais e alguma fruta o que dá uma média de 1,250 Kg/dia. E isto com a certeza de que ainda não consegui nem de longe o melhor aproveitamento possível do solo ocupado, que em média neste período rondará neste momento, penso eu, cerca de 300m2. Isto significa  que 1 m2 de solo produziu em média anualmente cerca de 1,5 Kg e isto não tendo ainda eu conseguido gerir o espaço de forma realmente biointensiva e atingido o potencial de produção que poderá ter. Tudo isto sem qualquer pesticida, herbicida ou adubo  inorgânico.

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O sistema claramente funciona e os contratempos resumem-se a uma ou outra pequena praga – as eternas lesmas e caracóis, meia dúzia de pulgões e pouco mais, coisas que mais que causar grande mossa alimentam o equilíbrio dinâmico do ecossistema. As doenças também não registam grande historial apenas o míldio das cucurbitáceas (pepinos e curgetes) normal em final de estação ou com tempo mais instável como este ano e que não afeta grandemente a produção. Bem… e as eternas ervas mas mesmo aí a falha foi minha (e das condições climatéricas vá) uma vez que este ano descurei coberturas do solo que prevenissem o seu aparecimento…

germinacao

Ontem a contracapa da revista que o meu amigo Zé Moreira lia ostentava a frase “On a toujours raison de se révolter” (Guy Lardrou). A mim parece-me claro e inquestionável mas mais que um call for thinking a frase surgiu-me como uma inspiração para um call for action – assente sobre os princípios da permacultura acredito que “trabalhar a terra” pode ser uma forma de revolução: Coexistes. Partilhas. És e deixas ser. A terra continua a dar-me leveza mas dá-me igualmente uma feroz vontade de combater ficções impostas para benefício de uma minoria.

Esta é  a minha revolução.

 

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Plantar batatas, colher pedras. E ainda batatas na banheira.

Plantadas as batatas de abril (há coisa de 1 mês e picos), já colhi entretanto as batatas “do seco” que plantei em inícios de janeiro. O problema é que por cada batata colhi à vontade 20 ou 30 pedras (não, não estou a exagerar), algumas de boa envergadura (as pedras não as batatas…). Isto somado aos quilos de pedra que tirei quando as plantei dá para começar a perceber a pedregosidade desta zona da horta. Este é um dos motivos porque em vários canteiros não posso usar (para já) a técnica do no dig (que muito resumidamente consiste em não cavar a terra para evitar ao máximo perturbar a estrutura e vida do solo questão que abordarei noutro post) que já comecei a aplicar noutros canteiros. Enquanto tenho que suar as estopinhas  a recolher pedra aproveito para aplicar um  dos princípios da permacultura de que o problema é a solução. Ora vai daí que este monte de pedregulhos está agora a “pavimentar” uma série de zonas da horta da zona da compostagem à bordadura do futuro charco ajudando a controlar o aparecimento de ervas menos desejadas, vulgo ervas daninhas.

bataatsBanheira

Entretanto  aproveitando uma  banheira velha fiz outra experiência cobrindo as batatas  de restos orgânicos mais ou menos compostados e algum estrume num fundinho de terra. Viçosas parecem, a ver vamos.

Ah não estranhem a miscelânea cromática das batatas da imagem – o gosto de experimentar coisas diferentes que partilho com o meu querido compadre Rafael dá-nos para isto – batatas de polpa azul,  vermelha, raiada… variedades antigas que foram caindo em desuso e que agora lentamente começam a entrar em circulação – nada como a diversidade.

Ode ao tomate

peraAmarelo

De todas as curiosidades, como lhes chamam os antigos, para mim nada na horta diz mais verão do que o tomate. Fruto (sim, botanicamente é um fruto) bem amado por todo o mediterrâneo and beyond não concebo sequer o verão sem eles.

Confesso que os cultivo com crescente obsessão e este ano os pés de tomateiros devem rondar talvez a meia centena de uma dúzia de variedades diferentes. No top 3 constam o Pera amarelo, o Andine Cornue e o soberano absoluto e incontestável Coração de boi.

Descobri o Andine Cornue numa das minhas andanças pelos sites de sementes. Variedade tradicional dos Andes é um símbolo da história do tomate.  Proveniente da América Central e do Sul (Perú, Bolívia, Equador, Chile) o tomate foi trazido para a Europa pelos colonizadores espanhóis em meados do século XVI.  A  receção ao tomatl (em asteca) parece ter sido diversa:  se no sul da Europa foi rapidamente acolhido na cozinha,  por terras britânicas por exemplo  parece  ter sido primeiro adotado como planta decorativa tendo o fruto a fama de ser tóxico.

greenZebra

Tomate Green Zebra: mantém-se verde quando maduro

Dentro da família das solanáceas ou nightshades como os ingleses poeticamente lhes chamam e que inclui o tomateiro temos a batata e a beringela cuja folhagem é de facto tóxica. Já sobre a toxicidade da folhagem do tomateiro (e folhagem de pimentos e malaguetas também solanáceas) parece não existir consenso. Assunto a aprofundar em breve.

Mas de sombrio e noturno o tomate não tem nada e se já andamos a saborear os peras, cerejas e afins conto os dias para celebrar o verão com os vermelhos carnudos suculentos enormes deliciosos e únicos Coração de boi.

365 dias. 449 Kg. Gardening is a form of resistence.

 

veigaMaio2016

maio 2016

veigaJunho2017

junho 2017

1 Alface roxa. Rabanetes. Há precisamente um ano foram estes os primeiros vegetais colhidos na horta.  Um ano depois registo 449 kg colhidos. Da abóbora ao yacon semeei/plantei  60 diferentes tipos de vegetais, não contando as diferentes variedades. Nada mal tendo ainda em conta que comecei apenas com uma parte da área total que fui gradualmente aumentando, ocupando digamos uma média de cerca de 250m2. Nada mal também para uma horta quase de fim de semana (mais umas horitas aqui e acolá durante a semana).

A preços de mercado de produtos não biológicos o valor rondará os  900€, a maior parte consumidos por nós, alguns trocados, outros dados, alguns vendidos. Um ano bem perto da autossuficiência em legumes e tubérculos (falharam as batatas, as cebolas e as cenouras).

Confesso-me desavergonhadamente orgulhosa. Mas mais que tudo é isto que me move:  “Today and every day: Grow and eat good food. Find your grounding in the earth and connect to the nature that is in you — the nature that is you. Make space for wildness. BE wild. Tend and be tender. Don’t be good; be defiant. Cultivate compassion and empathy. Hold yourself in strength and dignity. Hold each other. “ – Gayla Trail

Esta senhora é uma inspiração:

yougrowgirl.com – gardening is a form of resistance

 

COISAS DA TERRA

batatas

As primeiras batatas emergem. Plantadas em dezembro/janeiro estava estupidamente à espera que dessem flor para as poder começar a colher. Coisas de novata. Valeram-me os meus “mestres” D. Delfina e Sr. António: as “batatas do seco” apanham-se a partir dos três meses. Feito.

A generosidade das pessoas da terra não cessa de me comover.