Cartografias (sub)cutâneas

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As marcas da terra gravam-se no corpo. Bolhas, vergastadas, picadas que delineiam um mapa cutâneo onde percorro a história dos dias. Bolhas, vergastadas, picadas que se vão fundindo e entranhando na pele camada a camada, epiderme, derme, hipoderme, carne, músculo, artérias e veias, tornando-se um fluxo, um batimento do coração, uma sinapse, uma memória. A minha genealogia simultaneamente rural e urbana transcrevendo-se na minha história, naquilo que sou.  Urbana e rural, incapaz de me definir nómada ou sedentária*, assumo uma espécie de transumância oscilando entre o caminho e o lugar, suspensa  entre pedra e água,  árvore e nuvem. As marcas da terra gravam-se no corpo e desvanescem-se e criam uma cartografia invisível, um  mapa interior onde cabem os caminhantes, viandantes, giróvagos, os pastores, os corredores, os viajantes, os deambuladores, os errantes, os passeantes, os agrimensores, mas também os enraizados, os imóveis, os petrificados e os empedernidos*.

* Michel Onfray in Teoria da viagem

 

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