The hungry gap

gap

Os ingleses batizaram com esta expressão, significando qualquer coisa como intervalo da fome, o período algures  entre meados do inverno e meados da primavera em que a produção hortícola é muito menos abundante. Se é particularmente adequada para o clima inglês não deixa de ter algum significado por estas bandas. No meu caso o ano passado fez-se sentir com maior expressão em março quando o que colhi da horta se resumiu a pouco mais que alho francês e espigos de couves (rebentos das pencas depois de cortadas as cabeças). E por esta altura tinham também acabado as abóboras e as batatas doces. Parte do problema creio que passou por uma planificação algo deficiente e em não ter espécies que aguentassem a invernada e que respondessem bem aos primeiros sinais de condições mais favoráveis ao crescimento. Penso que este ano a coisa será melhorzita mas ainda há uma série de problemas a resolver – questões de quantidade (plantei menos do que devia) e época de plantação. Se para a plantação das coisas mais tradicionais tenho sempre os vizinhos para me orientar, já para coisas menos comuns tenho de ir fazendo por tentativa/erro e começar a perceber em profundidade a especificidade desta área, o seu microclima,  até começar a acertar. A complicar a gestão da coisa a quase inexistência de uma verdadeira primavera e outono complica e de que maneira as condições para  que as sementeiras germinem e os transplantes se desenvolvam antes do frio ou calor se instalarem.

De qualquer forma tenho uma série de culturas que me parecem interessantes para o  hungry gap e que vou apostar ainda mais para o próximo ano:

#Folhas de salada (para algo mais que a alface)  – canónigos, agrião de terra e água, rúcula, claytonia (uma das minhas descobertas on line, no caso no site britânico seedaholic (estes são viciados em sementes ih ih). Encomendei pelo terceiro ano consecutivo e têm sido sempre impecáveis. O site tem montes de informação e cada variedade de sementes é acompanhada de um folheto informativo super completo.

#Chicórias – este ano rendi-me às chicórias – pão de açúcar, rossa de treviso, palla rossa – fantásticas depois de uma geadinha. Prefiro-as para cozinhar (salteadas por exemplo) mas há quem as use em cru.

#Acelgas espinafres (espinafres perpétuos) e acelgas – da família das beterrabas são uma autêntica fábrica de folhas aguentando-se bem durante o inverno. Semeadas e transplantadas na primavera são bienais, começando a espigar no segundo ano lá para finais de março/abril mas podendo-se continuar a tirar folhas. Geralmente deixo-as ir para semente e lá se vão auto semeando.

#Brocolinni – variante dos bróculos com botões florais mais pequenos

#Mostardas orientais (Brassica juncea)  e Couves orientais (chinesa, pak choi, mibuna, komatsuna,…) – maravilhosas com sabor algures entre os grelos e as nabiças  (também no seedaholic)

#Couves kale – há diversas variedades e pelo que li os botões florais que parece começarem agora a despontar também se comem. Das que tenho aprecio particularmente a variedade tradicional italiana Cavolo Nero e a variedade tradicional escocesa Dwarf Blue Curled. Penso que estarão relacionadas com a nossa veterana couve galega mas na minha opinião são mais doces e tenras. Para além do sabor fazem um vistaço na horta e fazer um jardim de diferentes couves já andou mais longe dos meus planos (alinhas Samuel? afinal a ideia surgiu do teu encanto pelas couves).

#Outras culturas incluem espinafres (ingleses) que preferem o tempo mais fresco da primavera ou outono ao contrário dos mais “tradicionais”  espinafres da nova zelândia (que na realidade são uma espécie completamente diferente) e que são mais resistentes para o calor, e ainda o espinafre vermelho (orach) e a celtuce (alface chinesa).

A diversificação de culturas é importante e não apenas do ponto de vista da biodiversidade – num futuro próximo em que as mudanças e oscilações climáticas são uma incógnita ter um maior número possível de culturas e/ou diferentes variedades das culturas mais tradicionais que se adaptem e produzam nestas circunstâncias é fundamental. Entretanto já chegaram da seedaholic mais 4 ou 5 novas espécies a experimentar. Ok é oficial um vício nunca vem só.

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