Na poeira dos dias

 

A decadência fascina-me. Mais do que um fim de vida compreendo-a como um fluxo, uma transmutação, parte de um ciclo, não um the end. De uma beleza às vezes feroz, às vezes voraz, outras subtil e delicada, é inerente a todas as coisas – as que respiram e as inertes, em escalas mais ou menos visíveis ao olho humano. De tecido vegetal ou animal a húmus, de rocha sólida a terra, inexoravelmente, respiração a respiração, átomo a átomo, esvaímo-nos lentamente, desvanecemo-nos na paisagem até sermos outro:  folha, nuvem, lagarta, pedra.

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