FORK TO FORK (e umas quantas reflexões)

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Fork to Fork (qualquer coisa como da forquilha para o garfo)  é o título de uma série bbc da autoria de Monty Don, carismático escritor&apresentador/jardineiro&agricultor inglês.  A par de séries como The edible garden de Alys Fowler ou Grow your own veg de Carol Klein Fork to Fork advoga  uma prática agrícola assente sobre princípios sustentáveis aliada a uma prática alimentar que privilegia os produtos da época, biológicos e locais.

A par da água, a produção de alimentos será uma dos problemas centrais da humanidade (e não apenas dos países ditos do terceiro mundo)  num futuro a breve prazo.

A agricultura convencional continua a destruir todos os anos hectares e hectares de solo arável quer por perda real de solo quer pela sua sobre-exploração conduzindo à perda progressiva de fertilidade combatida à custa da injeção de fertilizantes inorgânicos que mascaram um solo moribundo e que será a breve prazo estéril. Acrescente-se o uso intensivo e abusivo de herbicidas e pesticidas que desregulam por completo os ecossistemas e se infiltram sub-repticiamente na água e na nossa comida e temos um panorama deveras assustador.

 

 

Obviamente a manutenção deste status quo interessa a uma série de entidades (e todos nós as conhecemos) que continuam a insistir que apenas a agricultura convencional dá resposta às necessidades alimentares da humanidade. Na realidade uma série de estudos realizados nos últimos anos têm vindo a contestar esta perceção. Além disso esta é uma visão reducionista que não tem em consideração que a produção alimentar não é um sistema estanque mas um sistema com implicações a diversos níveis para além do meramente económico.

Questões como o valor nutricional dos alimentos, a exploração de recursos naturais (água, recursos energéticos, solo), impactos ambientais (redução de biodiversidade, poluição, erosão, …), impactos na saúde humana etc. etc. etc. têm que ser consideradas numa perspetiva holística e consciente.

Pessoalmente acredito que um sistema baseado em princípios éticos como são os princípios basilares da permacultura – respeito  pelo homem, respeito pela terra, partilha de valores, conhecimentos, recursos – é, em contraponto à agricultura convencional, um sistema sustentável a longo prazo e é também esse um dos motivos que me levou a  criar o meu projeto (de pequena escala para não dizer micro) de permacultura. Chamem-me ingénua, utópica, neo hippie ou o diabo a quatro  mas prefiro continuar a acreditar que a soma de pequenos gestos podem fazer a diferença.

Bem e tudo isto por causa de umas migas de broa de milho com favas e couve galega…

 

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