you eat girl!

joaninha&afideos

Não se deixem enganar pelo aspeto encantador e inocente destes bichinhos. Estas senhoras são capazes de comer, melhor dizendo, devorar afídeos à tripa forra, ingerindo 40, 50, 70 afídeos por dia (e as suas larvas comem ainda mais).

As joaninhas são uma das visões mais bem vindas na horta contribuindo  para o controle biológico de pragas e o equilíbrio do ecossistema. Esta(s) anda(m) na faxina das favas,  colheita particularmente apreciada pelos afídeos (mais vulgarmente conhecidos por pulgões) e têm feito um bom trabalho.

Enquanto não vêm os feijões, outro favorito dos pulgões, mantenho meia dúzia de plantas para lhes proporcionar habitat seja como local de acasalamento, postura de ovos ou abrigo, ou como alimento (presas ou pólen uma vez que há, pelo que sei,  algumas espécies de joaninhas “vegetarianas”). Pelo que observei e pesquisei as umbelíferas, também chamadas apiáceas, (funcho, endro, cenoura, salsa, pastinacas, …) são das plantas mais apropriadas para fornecer alimento (pólen e/ou presas) e/ou local de abrigo para larvas, pupas e adultos, além de local acasalamento e postura de ovos. Continuar a ler

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sh…. happens

mindinho01

Nada disto teria acontecido se eu não tivesse acordado a meio da noite a pensar que tinha de cobrir a pilha do composto e que era mesmo uma boa ideia usar aquelas portadas velhas de madeira por cima das paletes…

Resultado: aquilo que supostamente devia estar do lado de dentro da pele do meu mindinho (e não querendo ser demasiado gráfica não me refiro apenas a sangue) ficou repentinamente a ver a luz do dia…

Talvez seja uma maneira de mente e corpo reagirem mas juro que ainda me passou pela cabeça colher as favas e os morangos antes de conduzir 5 ou 6 km até ao centro de saúde. Como se não bastasse, pelo caminho  com o dedo a latejar como doido e sem ter a certeza se ia perder ou não a cabeça do dito cujo,  a ladainha na minha cabeça era sobre quão limitada iria estar nos próximos tempos para trabalhar na horta.

mindinho02

Bem quanto ao dedo a coisa estava demasiado lacerada para pontos mas é recuperável  e na dúvida se estava ou não partido lá fui ao raio-x.

Amanhã saberei mais. Definitivamente na pele mas o que me dói mais no momento é não saber quando vou tornar a pôr as mãos na terra.

#02. na pele

pele

Há no contacto com a terra algo de primordial, autêntico e intrinsecamente humano. A experiência da terra é uma experiência de partilha  com outros seres (humanos e inumanos)  – partilham-se conselhos, energias, recursos, produtos, numa generosidade que não cessa de me espantar.   A partilha gera equilíbrio entre o eu, o outro e o mundo à nossa volta seja ele a larva a erva a galinha a árvore a toupeira a pedra a pessoa ou o conjunto disto tudo. Sentimos que fazemos parte de um todo onde tudo flui e gera sinergias e transformação,  onde menos é muitas vezes mais e onde corpo, mente e coração estão em uníssono com o pulsar do que  é verdadeiramente essencial.

FORK TO FORK (e umas quantas reflexões)

migas2

Fork to Fork (qualquer coisa como da forquilha para o garfo)  é o título de uma série bbc da autoria de Monty Don, carismático escritor&apresentador/jardineiro&agricultor inglês.  A par de séries como The edible garden de Alys Fowler ou Grow your own veg de Carol Klein Fork to Fork advoga  uma prática agrícola assente sobre princípios sustentáveis aliada a uma prática alimentar que privilegia os produtos da época, biológicos e locais.

A par da água, a produção de alimentos será uma dos problemas centrais da humanidade (e não apenas dos países ditos do terceiro mundo)  num futuro a breve prazo.

A agricultura convencional continua a destruir todos os anos hectares e hectares de solo arável quer por perda real de solo quer pela sua sobre-exploração conduzindo à perda progressiva de fertilidade combatida à custa da injeção de fertilizantes inorgânicos que mascaram um solo moribundo e que será a breve prazo estéril. Acrescente-se o uso intensivo e abusivo de herbicidas e pesticidas que desregulam por completo os ecossistemas e se infiltram sub-repticiamente na água e na nossa comida e temos um panorama deveras assustador.

 

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