Plantar batatas, colher pedras. E ainda batatas na banheira.

Plantadas as batatas de abril (há coisa de 1 mês e picos), já colhi entretanto as batatas “do seco” que plantei em inícios de janeiro. O problema é que por cada batata colhi à vontade 20 ou 30 pedras (não, não estou a exagerar), algumas de boa envergadura (as pedras não as batatas…). Isto somado aos quilos de pedra que tirei quando as plantei dá para começar a perceber a pedregosidade desta zona da horta. Este é um dos motivos porque em vários canteiros não posso usar (para já) a técnica do no dig (que muito resumidamente consiste em não cavar a terra para evitar ao máximo perturbar a estrutura e vida do solo questão que abordarei noutro post) que já comecei a aplicar noutros canteiros. Enquanto tenho que suar as estopinhas  a recolher pedra aproveito para aplicar um  dos princípios da permacultura de que o problema é a solução. Ora vai daí que este monte de pedregulhos está agora a “pavimentar” uma série de zonas da horta da zona da compostagem à bordadura do futuro charco ajudando a controlar o aparecimento de ervas menos desejadas, vulgo ervas daninhas.

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Entretanto  aproveitando uma  banheira velha fiz outra experiência cobrindo as batatas  de restos orgânicos mais ou menos compostados e algum estrume num fundinho de terra. Viçosas parecem, a ver vamos.

Ah não estranhem a miscelânea cromática das batatas da imagem – o gosto de experimentar coisas diferentes que partilho com o meu querido compadre Rafael dá-nos para isto – batatas de polpa azul,  vermelha, raiada… variedades antigas que foram caindo em desuso e que agora lentamente começam a entrar em circulação – nada como a diversidade.

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Há monstros na horta

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Andava eu calmamente a preparar um canteiro para plantar cebolo quando ao tentar arrancar uma pé de couve espigado vi um pequeno ponto vermelho e dei por esta coisa meia enterrada e aninhada junto da raiz da dita couve.

Não sei se estava mais morto que vivo ou ainda em hibernação (fiquei a saber que os sapos hibernam) mas não tugiu nem mugiu quando lhe dei uns toques com um pauzito.

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Apesar do seu aspeto de monstro medieval – não ficava nada mal junto da outra bicharada grotesca de uma fachada gótica – na realidade é um bicho bem útil na horta, papando lesmas, moscas e outros insetos que tal. Lá o transportei e aconcheguei  no meio de um monte de folhada – a ver se se safa porque com esta primavera chuvosa não faltam lesmas a fazer mossa pela horta.

Já agora alguém sabe que espécie é esta?????

The hungry gap

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Os ingleses batizaram com esta expressão, significando qualquer coisa como intervalo da fome, o período algures  entre meados do inverno e meados da primavera em que a produção hortícola é muito menos abundante. Se é particularmente adequada para o clima inglês não deixa de ter algum significado por estas bandas. No meu caso o ano passado fez-se sentir com maior expressão em março quando o que colhi da horta se resumiu a pouco mais que alho francês e espigos de couves (rebentos das pencas depois de cortadas as cabeças). E por esta altura tinham também acabado as abóboras e as batatas doces. Parte do problema creio que passou por uma planificação algo deficiente e em não ter espécies que aguentassem a invernada e que respondessem bem aos primeiros sinais de condições mais favoráveis ao crescimento. Penso que este ano a coisa será melhorzita mas ainda há uma série de problemas a resolver – questões de quantidade (plantei menos do que devia) e época de plantação. Se para a plantação das coisas mais tradicionais tenho sempre os vizinhos para me orientar, já para coisas menos comuns tenho de ir fazendo por tentativa/erro e começar a perceber em profundidade a especificidade desta área, o seu microclima,  até começar a acertar. A complicar a gestão da coisa a quase inexistência de uma verdadeira primavera e outono complica e de que maneira as condições para  que as sementeiras germinem e os transplantes se desenvolvam antes do frio ou calor se instalarem.

De qualquer forma tenho uma série de culturas que me parecem interessantes para o  hungry gap e que vou apostar ainda mais para o próximo ano:

#Folhas de salada (para algo mais que a alface)  – canónigos, agrião de terra e água, rúcula, claytonia (uma das minhas descobertas on line, no caso no site britânico seedaholic (estes são viciados em sementes ih ih). Encomendei pelo terceiro ano consecutivo e têm sido sempre impecáveis. O site tem montes de informação e cada variedade de sementes é acompanhada de um folheto informativo super completo.

#Chicórias – este ano rendi-me às chicórias – pão de açúcar, rossa de treviso, palla rossa – fantásticas depois de uma geadinha. Prefiro-as para cozinhar (salteadas por exemplo) mas há quem as use em cru.

#Acelgas espinafres (espinafres perpétuos) e acelgas – da família das beterrabas são uma autêntica fábrica de folhas aguentando-se bem durante o inverno. Semeadas e transplantadas na primavera são bienais, começando a espigar no segundo ano lá para finais de março/abril mas podendo-se continuar a tirar folhas. Geralmente deixo-as ir para semente e lá se vão auto semeando.

#Brocolinni – variante dos bróculos com botões florais mais pequenos

#Mostardas orientais (Brassica juncea)  e Couves orientais (chinesa, pak choi, mibuna, komatsuna,…) – maravilhosas com sabor algures entre os grelos e as nabiças  (também no seedaholic)

#Couves kale – há diversas variedades e pelo que li os botões florais que parece começarem agora a despontar também se comem. Das que tenho aprecio particularmente a variedade tradicional italiana Cavolo Nero e a variedade tradicional escocesa Dwarf Blue Curled. Penso que estarão relacionadas com a nossa veterana couve galega mas na minha opinião são mais doces e tenras. Para além do sabor fazem um vistaço na horta e fazer um jardim de diferentes couves já andou mais longe dos meus planos (alinhas Samuel? afinal a ideia surgiu do teu encanto pelas couves).

#Outras culturas incluem espinafres (ingleses) que preferem o tempo mais fresco da primavera ou outono ao contrário dos mais “tradicionais”  espinafres da nova zelândia (que na realidade são uma espécie completamente diferente) e que são mais resistentes para o calor, e ainda o espinafre vermelho (orach) e a celtuce (alface chinesa).

A diversificação de culturas é importante e não apenas do ponto de vista da biodiversidade – num futuro próximo em que as mudanças e oscilações climáticas são uma incógnita ter um maior número possível de culturas e/ou diferentes variedades das culturas mais tradicionais que se adaptem e produzam nestas circunstâncias é fundamental. Entretanto já chegaram da seedaholic mais 4 ou 5 novas espécies a experimentar. Ok é oficial um vício nunca vem só.

Cebolas, batatas, pencas (a.k.a. tronchas) e chuchus. E ainda mais chuchus.

 

 

Apesar de alguns contratempos de que falarei num outro post, a horta continua a bombar. Já não sei quando foi a última vez que comprei vegetais incluindo batatas, cenouras e cebolas. O stock de cebolas afinal ainda dura, embora o que ainda há já esteja a grelar. Provavelmente era uma variedade menos interessante para conservação. Entretanto seguindo os preceitos populares – Pelo S. Martinho semeia o teu cebolinho –  lá semeei algumas variedades de cebola pelo minguante de novembro, como aconselha o almanaque O Seringador. Não sendo (para já) crente nem descrente da influência lunar sobre as coisas da terra mal não há-de fazer. Para além da valenciana, que aparentemente é uma variedade mais adequada para conservação, semeei a espanhola Roja de Zalla (obrigada Flor) e semente da minha “madrinha” hortícola (obrigada D. Delfina).

Entretanto continuo com as minhas experiências no cultivo da batata. O ano passado semeei as primeiras em finais de dezembro/início de janeiro e a coisa não correu mal. Este ano já semeei há coisa de 1 mês (via referência do Borda d´Água) um pequeno canteiro com duas variedades – uma branca de que não sei a raça mas que guardei dum punhado que nos deram na primavera (obrigada Arnaldo) e umas quantas Marine (obrigada Flor e mãe da Flor) que estavam já greladas e a pedir terra. É curioso que em meados de novembro tinha uma série de batateiras que germinaram de batatas extraviadas na colheita e que ainda me deram umas batatinhas antes de morrerem com a geada que entretanto caiu. Tenho ideia que começaram a aparecer  aí por setembro daí que para o ano hei-de experimentar semear algumas lá para agosto. A ver. Pena é a quantidade de batatas não ser suficiente para chegar ao natal.  O acompanhamento, as pencas como lhes chamam na minha terra ou tronchas como lhes chamam por aqui, estão a engordar como se quer. Pior são os grelos – com o calor e a falta de chuva não foram nem regalo para os olhos nem para a boca. Entretanto andei a semear mais uns retalhos em finais de outubro  a ver se medravam… mas a coisa não parece muito promissora.   Para compensar colhi em novembro para cima dos 100 Kg (bem foram 103 mas pronto…) de produtos, recorde a bater os 74 Kg de setembro do ano passado. O maior contributo para esta quantidade foram os  chuchus. A produção pesada até ao momento dos dois pés de chuchus plantados em 2016 já soma mais de 50 Kg e ainda tenho duas caixas cheias por pesar. Sopa com chuchu, creme de chuchu, chuchu salteado, chuchu estufado, chuchu assado, chuchu cru… o chuchu tem provado a sua versatilidade culinária  – falta experimentar frito mas cheira-me que feito tipo peixinhos da horta ou tipo patanisca não deve ficar nada mal. Para o nosso jantar em breve, a acompanhar um arroz malandrinho de troncha.

Na poeira dos dias

 

A decadência fascina-me. Mais do que um fim de vida compreendo-a como um fluxo, uma transmutação, parte de um ciclo, não um the end. De uma beleza às vezes feroz, às vezes voraz, outras subtil e delicada, é inerente a todas as coisas – as que respiram e as inertes, em escalas mais ou menos visíveis ao olho humano. De tecido vegetal ou animal a húmus, de rocha sólida a terra, inexoravelmente, respiração a respiração, átomo a átomo, esvaímo-nos lentamente, desvanecemo-nos na paisagem até sermos outro:  folha, nuvem, lagarta, pedra.

gggrrrrrrrrrrrrr

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Depois de ter sido espoliada há umas parcas semanas do meu melhor tomate coração de boi (pelo menos esse que eu desse conta) eis que os larápios voltaram a atacar levando-me não só 3 ou 4 dos melhores tomates da horta quase prontos a colher mas dando-me cabo do único pé de tomateiro da variedade Marmande que tinha e um dos poucos que ainda estava super viçoso… Estou para além de danada e antes que se atirem aos próximos coração de boi ainda a amadurecer deixei um avisozinho

A partilha tem definitivamente os seus limites humpf